Revista PolÃtica Democrática Nº 31
Após vivenciar os melhores seis anos (2003-2008) de atividade econômica do último meio século, o mundo está em sobressalto e com imensa dificuldade de identificar o que fazer de concreto para sair da ampla e profunda crise econômica e financeira em que foi mergulhado, desde o final do ano 2008, e com sérias repercussões na vida polÃtica e social. A quase unanimidade dos economistas se refere a uma situação de abalo cósmico parecido com o deflagrado a partir de 1929, com possibilidade de ser qualitativamente maior e mais complexo.
As colaborações recebidas de diferentes autores a respeito desta delicada questão, que é nosso tema de capa, procuram nos situar diante desta crise da qual ninguém arrisca dizer até quando ela poderá permanecer conosco. Elas são enriquecedoras pois cada uma delas não apenas identifica causas diferentes para o que ora ocorre, como também faz observações distintas sobretudo sobre o que vem à frente para o planeta e para o nosso paÃs, especificamente.
Há quem veja nela, como o economista Tony Volpon, não uma crise da economia globalizada, ou uma crise do capitalismo, mas exatamente o contrário, como "uma crise do sucesso da globalização, especificamente da globalização chinesa". Tudo porque "a base do processo da globalização é tecnológica: as novas tecnologias de informática e comunicação permitem uma dispersão do processo produtivo, criando uma complexa "cadeia de oferta" permitindo à s empresas explorar vantagens comparativas ao redor do mundo". Segundo ele, nossa situação é boa, pois temos uma grande relação com a China, embora possamos enfrentar uma recessão se houver uma parada brusca no fluxo de capital externo, já que não temos poupança interna. O economista José Luis Oreiro defende que a crise financeira de 2008 foi o resultado do modus operandi do "capitalismo neoliberal" implantado no final da década de 1970 e prevê que os seus efeitos sobre o nÃvel de produção e de emprego nos paÃses desenvolvidos serão duradouros devido ao elevado endividamento do setor privado, gerado por um regime de crescimento do tipo finance-led (um tipo de financeirização cujos resultados são negativos para a sociedade e para a economia em geral). Para os jovens economistas José Carneiro da Cunha Oliveira Neto, Amanda Almeida Paiva e Gustavo Gomes Basso "a crise subprime começou com um problema sistemático de endividamento pessoal em nÃveis insustentáveis no longo prazo, mas a forma como governos atuaram para enfrentá-la criou um problema de trajetória de dÃvida e gastos públicos insustentáveis no longo prazo". Mas, dizem eles: "Resta saber se agora que a redução do gasto público e a melhoria de sua qualidade se fazem fundamentais para a superação do novo problema, os governos terão a mesma disposição, agilidade, patriotismo e compromisso com a população que tiveram na hora de aumentá-lo. Ou será que irão escolher a inflação e todos seus efeitos danosos como rota de fuga, trocando a nova crise de dÃvida por uma futura crise inflacionária?". Já o engenheiro Sergio Augusto de Moraes frisa que essa crise global "põe novamente à mostra a incapacidade do sistema capitalista de resolver os problemas básicos da humanidade"; destaca a existência de movimentos de massa contra os efeitos desta crise, movimentos que ainda não colocam como bandeira a ultrapassagem desse modo de produção, "talvez pelo fato de ainda não ter sido formulada uma alternativa ao capitalismo do século XXI que incorpore os ensinamentos das tentativas anteriores de construção do socialismo e, ao mesmo tempo, consiga indicar caminhos que evitem os erros cometidos nas mesmas."
Revista PolÃtica Democrática Nº 30
A reforma polÃtica voltou à ordem-do-dia e a revista PolÃtica Democrática não poderia deixar de se debruçar sobre tão decisivo tema. Afinal, trata-se de nova e promissora oportunidade de os partidos sérios e os setores mais bem informados da opinião pública desencadearem novas iniciativas em tomo de mudanças no sistema polÃtico brasileiro.
Assim é que, nos vários artigos selecionados pelos Conselhos de Redação e Editorial da revista, em torno do tema de capa, assinados pelo deputado Roberto Freire, pelo pesquisador Alberto Carlos de Almeida e pelo professor Hamilton Garcia de Lima, o leitor vai conhecer diferentes enfoques sobre o que está em jogo nos debates, iniciados em BrasÃlia e já invadindo espaços públicos em vários estados, a fim de melhor se posicionar sobre as propostas já apresentadas.
Nas seções de Conjuntura e Observatório, cada um de nós é brindado com ricos e diferentes enfoques sobre os fatos mais destacados do segundo trimestre do ano, tais como aqueles que envolveram o ministro Antonio Palocci, a deliberação do plenário da Câmara sobre o novo Código Florestal, novas e surpreendentes decisões do Poder Judiciário fazendo tábula rasa do Legislativo, sem falar nas questões que envolvem o terrorismo no paÃs e a violência entre jovens e adolescentes. Toda uma temática delicada vista por olhos argutos, dentre outros, do cientista polÃtico Marco Aurélio Nogueira; do ex-ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho; do fundador e diretor da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco; da psicanalista Almira Rodrigues e da consultora em polÃtica social Denise Paiva.
O geólogo e ambientalista baiano George Gurgel de Oliveira, ora na Universidade espanhola de Salamanca, nos envia um estudo sobre a imperiosa necessidade de o Brasil incorporar a sustentabilidade no seu processo de desenvolvimento, sob pena de perder, mais uma vez, o bonde da história. Na seção Questões do Desenvolvimento, há ainda um alerta do sociólogo Rudá Ricci sobre "O declÃnio do municipalismo", tema dos mais preocupantes para quem sabe da desigual distribuição dos recursos públicos entre as várias instâncias do Poder Público; um enfoque dos mais oportunos do professor Raimundo Santos sobre o agronegócio e a agricultura familiar; e um curioso estudo de uma das maiores especialistas quando se trata da previdência social pública no paÃs, Meiriane Nunes Amaro.
Já na Batalha das Ideias, há um provocador texto de Fabricio Maciel em torno do instigante tema Existe uma "sociedade do conhecimento"?, além de outros dois artigos, um do procurador Ruszel Cavalcante em que disseca aspectos da difÃcil realidade em que a Democracia e a República lutam para sobreviver, sobretudo em um paÃs com a nossa tradição, e outro das advogadas Giovana Santos e Guiomar Passos, que apresentam novos ângulos do sempre polêmico instituto da Súmula Vinculante.
Considerando a importância da República Popular da China, sob qualquer aspecto, no tocante ao dinâmico processo de globalização porque passa o planeta, a seção Mundo traz um único artigo, o do jornalista e cientista polÃtico paulista Fábio Metzger, A Questão Chinesa – Um gigante a se afirmar, cujo relato é politicamente detalhado e suscita que sempre se considere a presença marcante e desafiadora do gigante oriental em qualquer análise sobre os rumos da economia e da sociedade na escala mundial.
Porém, um dos momentos maiores deste número está na seção Ensaio, com o excelente trabalho do intelectual italiano Alfredo Reichlin, que aprofunda o debate em torno de uma questão crucial: "o mundo pode ser governado com base num desequilÃbrio tão grande entre a potência da economia globalizada e o poder da polÃtica entendida como liberdade das comunidades de decidir o próprio destino?".
Há outras seções na revista, como História, Memória, Vida Cultural e Resenha, nas quais são analisados temas importantes, tendo como destaque o centenário do historiador Nelson Werneck Sodré e a homenagem ao intelectual comunista Dirceu Lindoso.
Colaboram neste número, além dos já citados, Diogo Tourino, Daniela Rezende, Maria Aparecida Rodrigues Fontes, Lincoln de Abreu Penna, Anivaldo Miranda, Ivo Coser, Luiz Carlos Prestes Filho e Martin Cezar Feijó.
Uma nota sobre a capa: de autoria de Ilton Silva, as nossas capa e contracapa retratam a arte que vem do centro-oeste brasileiro. O artista, nascido em Ponta Porã/Mato Grosso do Sul, vive hoje em Santa Catarina, mas dele se pode dizer que traz o Pantanal dentro do peito – e na ponta do pincel, naturalmente.
Revista PolÃtica Democrática Nº 29
A presente edição tem como tema de capa a revolução democráÂtica que percorre o mundo árabe. É difÃcil exagerar o alcance das mudanças que esses acontecimentos ao mesmo tempo reÂpresentam e anunciam. Seja qual for o resultado imediato dos moÂvimentos populares em cada um dos paÃses protagonista; terminem eles com a queda ou permanência dos regimes, com o triunfo dos revoltosos, da repressão ou com acordos em torno de saÃdas negoÂciadas para a crise, o mundo mudou e não voltará a ser como antes.
Regimes autoritários estabelecidos há décadas, preservados na dinâmica da guerra fria, que haviam sobrevivido sem maiores danos a crises anteriores, foram varridos, em alguns casos, e encontram-se sob assalto, em outros, por uma onda de protestos que teve como estopim a autoimolação de um manifestante tunisiano.
Protestos inesperados, surpreendentes pela sua magnitude, com caracterÃsticas novas: presença da juventude escolarizada, uso das redes sociais na sua organização, reivindicações laicas, de direitos poÂlÃticos e civis, de um lado; de outro, pequena presença de lideranças e organizações tradicionais, agenda de reivindicações sem menção a paÂlavras de ordem antiamericanas ou consignas fundamentalistas.
Revista PolÃtica Democrática Nº 28
Ao completarmos dez anos de ininterruptas atividades da nossa PolÃtica Democrática, torna-se quase que imperioso transmitir aos nossos leitores, atuais e mais antigos, nossa experiência de manter, de forma flexÃvel, uma publicação aberta, ampla e plural, não apenas nos temas que aborda, mas, sobretudo, na qualidade e na diversidade de seus colaboradores, nacionais e internacionais, sem nenhum parti pris, que não seja o de expor e debater as grandes questões da contemporaneidade, nos planos nacional e internacional.
Não vamos enfocar as dificuldades financeiras dos primeiros anos, nos quais a revista saÃa graças à fraterna colaboração de alguns anônimos companheiros e amigos, que acreditavam na importância de a esquerda democrática e reformista ter um espaço para construir o projeto de uma nova formação polÃtica, antenada com as amplas, profundas e permanentes mudanças que ocorrem no globo. O que desejamos afirmar alto e bom som – e acreditamos que a maioria dos que nos leem, periodicamente, concordam – é que somos vitoriosos nesta empreitada.
Em cada número, nas várias seções, como Observatório PolÃtico, Conjuntura, Batalha das Ideias, Questões do Desenvolvimento, No Compasso das Reformas, O Social e o PolÃtico, Sociedade do Conhecimento, Economia e Finanças, Direito e Justiça, Ensaio, Mundo, Vida Cultural, Memória, Comportamental, Resgatando a História, Documentos, Resenha, as grandes e instigantes questões da atualidade brasileira e mundial têm sido aqui enfocadas, sob ângulos os mais variados.
Basta fazer um rápido retrospecto das nossas edições, considerando alguns temas de capa, como "A esquerda em questão", "Desafios do nosso tempo", "Terrorismo x Democracia", "Religião x Ciência", "1964: O que aprendemos?", "A eleição de Lula e os rumos da esquerda", "InÃcio do Governo Lula: Esperanças e apreensões", "Vinte anos de democracia. Dois anos de Lula", "Governo Lula – O mal da corrupção", "A opção parlamentarista", "Governo Lula – Crise da esquerda?", "Brasil – Desatar os nós", "Crise nas instituições da República", "O desafio da esquerda no Brasil", "A necessidade da reforma polÃtica", "Os 70 anos do Estado Novo de Vargas", "Os 120 anos da Abolição da Escravatura", "Os 50 anos da Declaração de Março", "Inflação?", "Vinte anos da Carta de 1988", "Os 120 anos da República", "A crise mundial e seus desdobramentos", "Por uma sociedade civil mais forte e uma democracia ampliada", "As fragilidades da democracia e a urgência das reformas", "Nova República e seus 25 anos" e "Agenda para um novo Brasil".