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Seu objetivo principal é o debate da alternativas teóricas e políticas que se põem à esquerda hoje, nos planos global, nacional e local.

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Governo Lula: Crise da esquerda?

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Há uma pergunta implícita no titulo, acima, analisada por alguns dos artigos deste número e Política Democrática: a crise o maior partido da esquerda brasileira ficará a ele restrita ou contaminará a totalidade dessa esquerda? O eleitor, em 2006, dará oportunidade a candidatos dos partidos que estão, simultaneamente, na esquerda e na oposição? Ou prevalecerá o ceticismo, o desencanto, no limite a versão nacional do "que se vayan todos"?

A questão é complexa e relevante. Para começar, uma entre as respostas possíveis, penso ser interessante retroceder para a análise de duas componentes da crise política - longa e imprevisível-que vive o país.

Uma componente é evidente. Está claro que a crise é, principalmente, crise do sistema político brasileiro, particularmente nas suas facetas partidária e eleitoral. A excentricidade de nossa regra eleitoral, voto proporcional em listas abertas, produz, simultaneamente, partidos políticos débeis e campanhas caras.

Partidos fracos porque cada candidato é um centro de arrecadação de recursos, formulação de propostas e decisões de estratégias de campanha. Partidos importam apenas em dois momentos: na cessão da legenda e na definição do uso do tempo de rádio e televisão. Nessa circunstância, o aproveitamento racional da regra induz os candidatos a produzir campanhas personalizadas, a competir com seus companheiros de legenda e a cooperar com candidatos de outros partidos para outros cargos. Identidade e solidariedade partidárias são enfraquecidas e não surpreende que os eleitos nesse sistema sentam-se proprietários de seus mandatos. Seguem as orientações da liderança partidária se e quando quiserem.

 

- Editoração: Fundaçaõ Astrojildo Pereira

- Ano de Edição: Ano V

- 198 páginas

- ISSN 1518-7446

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