Brasil Desatar os nós!
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PolÃtica Democrática chega a sua edição de número 14, centrada num tema recorrente em nossos números anteriores: a desigualdade extrema que permeia a sociedade brasileira. Desigualdade que se manifesta na concentração da renda e da propriedade, do conhecimento e do poder, rio tratamento diferenciado dos cidadãos por parte do Estado, segundo linhas de classe e, por conseguinte, na estratificação que se observa no que se refere à garantia de direitos formalmente assegurados a todos.
Essa situação tem revelado uma inércia poderosa. Conviveu com anos de crescimento econômico acelerado e com as décadas de estagnação que se seguiram; com perÃodos de hiperinflação e, recentemente, com uma relativa estabilidade econômica; com épocas de poucos gastos púb1icos na rubrica social e, nos últimos anos, com a elevação da participação desses gastos no orçamento. A experiência acumulada nas últimas décadas, portanto, nos ensina que não basta crescer a taxas milagrosas, não basta elevar as despesas "sociais" para fazer diminuir a desigualdade e a exclusão sociais.
Evidentemente, é possÃvel fazer remontar esse estado de coisas a nosso passado remoto: colônia, latifúndio, escravidão. Seria cômodo, no entanto, fechar os olhos para o fato simples de que a tendência à desigualdade, à concentração de renda, bens, conhecimento, poder e oportunidades de vida foi afirmada em todos os perÃodos de nossa história. O último ciclo no qual crescimento econômico e ordem social foram perseguidos de forma sistemática sem preocupação com a eqüidade, ou melhor, em sinergia com a iniqüidade, foi o regime ditatorial de 1964 a 1985.
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- Editoração: Fundaçaõ Astrojildo Pereira
- Ano de Edição: Ano V
- 198 páginas
- ISSN 1518-7446
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