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Crise nas instituições da República

 

 

 

A campanha eleitoral começou, ao menos oficialmente, num cenário marcado pela eclosão de um novo escândalo, a jogar mais gasolina na fogueira da crise política e das instituições que o país vive. Trata-se agora dos parlamentares sanguessugas, herdeiros, ao que tudo indica, dos anões do orçamento. Testemunhos e documentos em poder da CPl seriam, suficientes para comprovar o funcionamento do esquema apresentação de emendas, liberação, aplicação do recurso mediante licitação fraudulenta, retorno de parte do "lucro" ao bolso do parlamentar.

Dois dados novos em relação ao passado da crise. Primeiro, a autonomia do sistema que, ao contrário do mensalão, não estaria relacionado ao governo, à formação de maiorias, à negociação de apoios. Tudo indica que se trata de práticas "normais" do funcionamento de alguns mandatos. Segundo, a extensão da rede. Até o momento, perto de 60 deputados mencionados, em transações que envolvem apenas um ministério. Haveria redes semelhantes em outros ministérios e com elas, a possibilidade de o número real de envolvidos ser muito maior.

Estamos diante da prova cabal, mais uma, da falência do sistema político que, nos rege. A relação desses fatos com a fragilidade dos partidos políticos, ou seja, com sua incapacidade de exigir transparência e conseqüência aos parlamentares eleitos por sua sigla, é clara. A relação desses fatos com a necessidade constante que deputados e senadores têm de arrebanhar recursos para o custeio de eleições cada vez mais caras é igualmente clara. Finalmente, salta aos olhos que a autonomia dos parlamentares em relação aos parti¬dos, que significa, na realidade, autonomia em relação à vontade dos eleitores, assim como a procura por recursos e meios de campanha decorrem, diretamente, do nosso sistema eleitoral, do voto em nomes, da competição entre pessoas e não partidos. Surpreende apenas a lentidão com que essas evidências são aceitas tanto pela opinião pública quanto pela especialização.

 

- Editoração: Fundaçaõ Astrojildo Pereira

- Ano de Edição: 2006

- 196 páginas

- ISSN 1518-7476

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