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O Brasil depois das eleições

 

 

 

O resultado das eleições já é conhecido, mas os eleitos ainda não tomaram posse. Governadores, deputados e uma parte dos senadores terminam seus mandatos conferidos os nas últimas eleições, mas os movimentos da política já obedecem a lógica dos resultados de outubro.

Como analisar o significado desses resultados? De um lado, vale a comparação com as previsões anteriores; de outro, a indagação dos rumos que se apresentam, para situação e oposição.

A eleição presidencial foi surpreendente em dois momentos: o movimento de avanço eleitoral que levou o PSDB ao segundo turno e a inversão dessa tendência durante a campanha para a disputa do dia 29 de outubro, com o recuo no percentual de votos dados ao candidato da oposição.

Por que houve segundo turno, quando tudo indicava a vitória de Lula na primeira rodada? Vários fatores contribuíram para esse resultado. Houve o dossiê, o relativo sucesso da campanha de divulgação do candidato tucano, a presença de candidaturas de oposição pela esquerda e, finalmente, a ausência de Lula em todos os debates, particularmente no último e decisivo, promovido e divulgado pela Rede Globo. Mesmo assim a diferença foi pequena.

E no segundo turno, de que modo Lula conseguiu retomar a iniciativa e reverter a tendência crescente da campanha oposicio¬nista? A escolha das privatizações como alvo nos debates revelou-se extremamente eficaz. Tratava-se, no fundo, de um jogo de retó¬rica, uma vez que nem o PSDB propôs novas privatizações, nem o PT promoverá a reestatização de coisa alguma. No entanto o tema é sensível para os partidos excluídos do segundo turno, o PSQL e o PDT, e para parte de seus eleitores. As críticas de Lula estimularam, portanto, o afastamento desses votos do candidato tucano.

 

- Editoração: Fundaçaõ Astrojildo Pereira

- Ano de Edição: Ano V

- 199 páginas

- ISSN 1518-7476

 

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