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A Política Democrática prossegue, por meio deste site, sua trajetória no rumo da construção de uma revista plural, dedicada ao debate sobre a ampliação da democracia e as tarefas presentes da esquerda.

Seu objetivo principal é o debate da alternativas teóricas e políticas que se põem à esquerda hoje, nos planos global, nacional e local.

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Os 70 anos do Estado Novo de Vargas

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O foco temático da presente edição de Política Democrátka é a memória do Estado Novo. No dia dez deste novembro cumpriram-se os setenta anos do início daquele período, marcado pela ocupação da Câmara dos Deputados e do Senado Federal por tro¬pas da Polícia Militar, a mando do então presidente Getúlio Vargas.

Quatro são os artigos aqui publicados sobre o tema. Severino Theodoro de Mello relata a ascensão e queda do Estado Novo a partir da perspectiva de sua situação á época: prisioneiro do regime, desde a derrota do levante militar de 1935, até 1942. Sua análise revela, eviden¬temente, o trabalho de reflexão posterior do autor e do Partido Comunista Brasileiro, de que foi militante e dirigente, mas guarda também o esforço de formulação e interpretação dos presos políticos naque¬le momento, numa situação difícil, a partir de informações restritas.

Rudá Rícci procura a comparação sistemática das características mais relevantes do lulismo, entendido como maneira de governar, com o modelo estado-novista do passado. Antônio Barbosa, por sua vez, ao refletir sobre o período, chama a atenção para o ocaso do regime, incompatível tanto com a nova ordem internacional que surge da der¬rota, do nazi-fascismo, quanto com a mobilização democrática que a guerra provocara no Brasil. A adaptação pragmática aos novos tempos tomaria a forma "do "queremismo", movimento que guardaria seme¬lhança com propostas defendidas ou implementadas hoje, no Brasil e em outros países da América Latina, de defesa da possibilidade indefinida de reeleição.

Simon Schwartmann, por sua vez, comenta o conjunto de textos preparados nas repartições do regime, dedicados ao histórico e síntese de sua obra política e administrativa.

Está claro que a discussão sobre o Estado Novo está iluminada pelos movimentos da política presente, pela busca de analogias e des¬semelhanças, de tendências subjacentes à história brasileira, que irrompem sempre que encontram a conjuntura propícia. Não se trata de construir interpretações esquemáticas, de simplicidade enganosa, mas de buscar na história elementos para uma reflexão mais profunda sobre o presente. Penso que os quatro textos cumprem esta função.

 

- Editoração: Fundaçaõ Astrojildo Pereira

- Ano de Edição: Ano VI

- 197 páginas

- ISSN 1518-7476

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