Editorias
Agenda para um novo Brasil

Nesta edição, destacamos textos que assinalam o compromisso desta revista com os princípios essenciais que a balizam e a diferenciam de outras publicações.
No artigo de Caetano Pereira de Araujo e de Roberto Freire, encontramos uma análise cuidadosa a respeito do significado do pleito de outubro próximo, que procura, a partir do exame da realidade brasileira, identificar os obstáculos ao efetivo desenvolvimento do país e apresentar uma estratégia de implantação das sempre adiadas reformas (sobretudo a política e a do Estado), imprescindíveis à ampliação da democracia e à estabilidade econômica, na busca de novos rumos para o país. Chamamos sua atenção também para o artigo do jornalista e consultor em relações internacionais Danúbio Rodrigues, que apresenta um painel de atropelos ao regime das leis por parte do primeiro mandatário do país e fala da necessidade de a sociedade reagir diante de tão constantes abusos. Importante ainda o trabalho do cientista político Augusto de Franco, que expõe o que considera essencial num programa de governo, abordando eixos inusuais e que podem servir de estímulo a um bom debate.
Esmiuçando o conteúdo da política originária do Planalto Central, vários artigos na revista fornecem elementos para se aferir a conduta e o desempenho dos atuais governantes. Destacamos, entre eles, o texto do físico e professor da USP, José Goldemberg, ex-ministro do Meio Ambiente, a respeito da política nuclear, revelando dimensões novas para tão complexo e delicado tema da pauta nacional. Outro polêmico artigo, assinado pelo professor da UFRRJ, Raimundo Santos, analisa as relações entre o agronegócio, a agricultura familiar e a política, identificando um campo de ação comum em atividades que certa esquerda tenta colocar em polos opostos.
Outras matérias vão ao âmago de questões decisivas para a vida nacional, sobretudo o seu futuro, como a que se refere à recente licitação em torno da construção da Usina Hidroelétrica de Belo Monte, na Amazônia, assinada pelo conhecido professor Célio Bermann e seu assistente Francisco Del Moral Hernández.
Na batalha das ideias, nas questões ligadas ao desenvolvimento e no plano do social e do político, há outras teses e posturas em debate, como as ligadas aos caminhos para a educação dos brasileiros (leia-se o texto do prof. Antonio Máximo), políticas públicas como a habitacional (curioso e instigante é o trabalho do especialista Luiz Prado) e o grave e sempre subestimado problema da costa marítima brasileira (o ambientalista Anivaldo Miranda sacode, com muita propriedade, esse abandonado tema). Prosseguimos assim no cultivo do multilateralismo, repudiando opiniões absolutas e unívocas.
Para nós, foi um sucesso resgatar fatos do passado em nossa vida cultural, pois são lições de extrema utilidade, sendo um exemplo o famoso Primeiro Congresso de Escritores Brasileiros, em 1945. E uma satisfação imensa, também, reproduzir um artigo do conhecido jornalista e intelectual Sergio Augusto (antigo colaborador de O Pasquim) a respeito do nosso fundador e patrono Astrojildo Pereira, no ano em que se relembram os seus 120 anos de nascimento.
Encerramos essa edição com três poemas inéditos de Ferreira Gullar, por ele selecionados, demonstrando assim nossa participação enfática nas homenagens que agora lhe são feitas no Brasil e em outros países pela outorga do Prêmio Camões, a mais importante láurea da língua portuguesa.