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O processo de modificação do Código Florestal brasileiro
O modelo de desenvolvimento rural hegemônico no Brasil desde os primórdios da colonização é a monocultura exportadora. Valendo-se da superexploração da mão de obra, da apropriação ilegal de terras públicas e da destruição das florestas, o Brasil tornou-se forte no mercado global de commodities agrÃcolas, assegurando o equilÃbrio do seu balanço de pagamentos. Esta posição também deve muito à abundância de polÃticas públicas de suporte: a monocultura exportadora se apropria da maior parte dos investimentos públicos para a agricultura, recebendo em face da agricultura familiar – que é quem produz os alimentos que o povo consome – a maioria dos investimentos para infraestrutura produtiva, financiamento à produção, assistência técnica e extensão rural, pesquisa e desenvolvimento, associativismo e cooperativismo etc. Isso não se consegue sem hegemonia polÃtica a assegurar o controle de governos locais e dos poderes legislativos nos três nÃveis da Federação.
Apesar de representantes do agronegócio reconhecerem "que é possÃvel aumentar a produção de alimentos sem a necessidade de abdicar das áreas de proteção ambiental, só com investimentos para aumentar a produtividade" e de um ex-ministro da Agricultura fazer coro aos que afirmam que "hoje as áreas degradadas de pasto ocupam o mesmo espaço das culturas de grãos", não falta quem insista que a preservação das florestas no Brasil obsta a produção de alimentos no paÃs. Se, no final do século XIX, os fazendeiros argumentavam que era impossÃvel abolir a escravidão sem tirar a competitividade da produção agrÃcola brasileira, hoje acusam as florestas de obstar a produção de alimentos!