O fenômeno das redes

A palavra rede tem origem no latim rete-retis, associada à ideia de um entrelaçamento de fios, cordas, cordéis, arames etc.; com aberturas regulares, fixadas por malhas, formando uma espécie de tecido. Nos diversos ramos do conhecimento, a palavra tem sido usada como “metáfora” para representar sistemas complexos e flexíveis, compostos de polos (nós) e de relações entre eles. Biólogos frequentemente empregam o termo quando se referem às teias alimentares e aos ciclos de vida. “Sempre que olhamos para a vida, olhamos para as redes” (CAPRA, 1996).

Atualmente, o conceito de rede tem sido amplamente utilizado nas ciências sociais e nas teorias das organizações, e a forma-rede tem sido usada de maneira inovadora na estruturação de processos de interação social.

Como mecanismo de interação social, as redes sempre existiram, desde os tempos em que surgiu a convivência entre os homens em sociedade, principalmente naqueles campos onde predominava a cooperação.

O impulso atual na utilização do termo rede tem como pano de fundo o processo de profundas transformações originadas pela revolução científico-tecnológica e pela globalização, trazendo consigo a redefinição do papel do Estado-nação.

No plano científico-tecnológico, como assinala Franco (2006), a fibra ótica, o laser, a telefonia digital, a microeletrônica e os satélites de órbita estacionária estão possibilitando a conexão em tempo real (sem distância) entre o local e o global e, assim, tornando mais visíveis as redes sociais e os processos associados a elas, ao mesmo tempo em que estão acelerando e potencializando seus efeitos.

Este avanço da base tecnológica, a partir da segunda metade do século XX, tem mudado rapidamente paradigmas da sociedade e tem merecido, de diversos autores, caracterizações como “sociedade pós-industrial” (LYOTARD, 1998), “sociedade da informática” (SCHAFF, 1995), “sociedade do conhecimento” (TOFFLER, 1990), “sociedade tecnizada” (MACHADO, 1993) ou “sociedade em rede” (CASTELLS, 1999).

A globalização – impulsionada pela combinação da revolução científico-tecnológica com a crise do Socialismo Real e com o esgotamento do Estado do Bem-Estar Social – trouxe consigo a exigência de novas formas de organização da economia, das empresas, e do Estado-nação. Este processo foi percebido com diferentes visões. De um lado, o neoliberalismo apontava a necessidade do “Estado-mínimo”; do outro, importantes setores do pensamento democrático apontavam as potencialidades emancipatórias do novo contexto, com a possibilidade de criação de uma sociedade civil mundial como forma da afirmação da sociedade perante os Estados.

Este mesmo período é também marcado por uma profunda crise nos instrumentos de representação surgidos nos marcos dos antigos paradigmas da sociedade industrial, como os partidos, os sindicatos e outras formas tradicionais de articulação de interesses e reivindicações. É nesse contexto que se expande a ideia de redefinição das funções entre o setor governamental, o mercado e o setor associativo, este último passando a ser chamado de “terceiro setor”.

O conceito de terceiro setor nasceu, portanto, reforçado por uma dupla convergência ideológica, como se referem Bernardi e Malvasi (2006), “estratégia complementar ao neoliberalismo” ou “estratégia emancipatória em relação ao capitalismo”. O terceiro setor é aquele onde “indivíduos de uma dada sociedade se agrupam espontaneamente em torno de organizações autogestionadas de fins públicos ou coletivos, sejam elas formais ou não, e se articulam em redes para atender aos mais variados interesses sociais” (BROWN, 2005).

As redes passam a representar, assim, novas formas organizativas surgidas nesse novo contexto civilizatório de aceleração dos processos de mudanças. Sua superioridade como instrumento de organização do terceiro setor se encontra, exatamente, na extrema elasticidade que possuem de se adaptar à realidade em um ambiente de transformações continuadas das sociedades contemporâneas, sob o paradigma informacional.

Conceitos de redes

Na literatura sobre o assunto, muitas e diferenciadas formulações podem ser encontradas para caracterizar as redes.

Para Castells (1999), “rede é um conjunto de nós interconectados” e avança: “redes são estruturas abertas capazes de expandir de forma ilimitada, integrando novos nós desde que consigam comunicar-se dentro da rede, ou seja, desde que compartilhem os mesmos códigos de comunicação (por exemplo, valores ou objetivos de desempenho). Uma estrutura social com base em redes é um sistema aberto altamente dinâmico, suscetível de inovação, sem ameaças ao seu equilíbrio”.

Para Bernardi e Malvasi (2006), “redes são sistemas organizacionais capazes de reunir indivíduos e instituições, de forma democrática e participativa. As redes se sustentam pela vontade e afinidade de seus integrantes, caracterizando-se como um significativo recurso organizacional, tanto para relações pessoais quanto para a estruturação social”.

Martinho (2003) faz um conjunto de caracterizações em que destaca o caráter dinâmico das redes e a importância das relações de rede para o coesionamento do sistema. Assim, afirma que rede é um “objeto fluido e impermanente…”, “de caráter relacional, portanto, a rede está, nunca é…,” “a ordem, na rede, se faz e se desfaz no movimento das relações”, “a matéria-prima principal da rede… é a relação”, “… uma emergência, não uma entidade… arranjo orgânico de devires”. Buscando distinguir as redes das formas tradicionais de organização, o mesmo autor afirma que “esse modelo se opõe à noção tradicional de organização identificada com a estabilidade, a reprodutibilidade, a padronização, a linearidade e o controle”, “não um organismo, mas vários”. Realçando as potencialidades desse tipo de organização, diz que “redes são fábricas de possibilidades, porque as relações nada mais são do que possibilidades em latência…, relacionamentos são caminhos por onde trafegam as oportunidades”.

Segundo Whitaker (1993), “rede é um sistema de nós e elos capaz de organizar pessoas e instituições, de forma igualitária e democrática, em torno de um objetivo comum”. Os elos representam a troca de informações e a comunicação entre os atores sociais que formam um grupo, conjunto de pessoas e organizações conectadas pela intencionalidade de planejar ações conjuntas para o atendimento às necessidades de uma localidade. Os nós representam o momento da composição, do comprometimento em torno da causa comum, que formam subgrupo(s) condensado(s) em propostas para a implementação de ações planejadas.

Nesta concepção, as redes são uma forma de organização que implica em conteúdo de natureza emancipatória e não outro. Redes são a tradução, na forma de desenho organizacional, de uma política de emancipação. Não pode haver distinção entre os fins dessa política e os meios de empreendê-la.

Outro aspecto de interesse é a observação de que duas perspectivas podem ser encontradas no tratamento das redes: a “utilização estática” e a “utilização dinâmica” (LEROY-PINEAU, 1994, apud MARTELETO, 2001). A primeira é a forma de análise da Sociologia e outras ciências, que exploram a “rede estrutura” – nós e ramificações – para poder entender a dinâmica da organização social. Para os pesquisadores, trata-se de uma nova metodologia.

Já os grupos sociais fazem da “utilização dinâmica” uma estratégia de ação no nível pessoal ou grupal, para gerar instrumentos de mobilização de recursos. Para os grupos trata-se de explorar novas possibilidades de articulações.

Tipologia de redes

Inúmeros são os contextos em que o termo “rede” é empregado, desde as redes de relacionamentos pessoais, as redes corporativas, as redes de marketing, as redes de máquinas e as redes sociais, esta última de interesse mais direto nesta análise.

A internet pode ser encarada como híbrida, pois interligando máquinas, conecta pessoas em práticas de cooperação, de sorte que, estudando-a, pode-se compreender a diversidade das conexões ocultas que existem nas redes sociais. Mas isso não significa que seja a mesma coisa.

Por outro lado, as redes se constituem em estruturas complexas, em processos de constantes modificações e desdobramentos, que apresentam graus variados de especializações.

Segundo a classificação apresentada no site da Rede de Informações para o Terceiro Setor (RITS) podemos ter:

  • Redes temáticas – se organizam em torno de um tema, segmento ou área de atuação das entidades e indivíduos participantes, podendo ser genéricas (ex.: meio ambiente, infância etc.) ou específicas (ex.: reciclagem, desnutrição infantil).
  • Redes regionais – têm em uma determinada região ou sub-região o ponto comum de aglutinação dos parceiros: um estado, um conjunto de municípios, um bioma, uma cidade, um conjunto de bairros etc.
  • Redes organizacionais: vinculadas a uma entidade suprainstitucional – isto é, que congrega instituições autônomas filiadas (federações, confederações, associações de entidades, fóruns etc.) ou compostas, por exemplo, de várias unidades autônomas e/ou dispersas territorialmente.

Convivendo com as formas “puras” dessa tipologia, existem inúmeras situações híbridas formadas pela adaptação das formas organizativas aos problemas e questões concretas em torno das quais se agregam ações dos atores sociais e organizações.

As redes podem assumir diversas configurações relativas ao seu objetivo, constância, padrão de formação etc.

Segundo Martinho (2003), a maioria das redes da sociedade civil brasileira são redes de trocas de informação, mas essa função é apenas uma entre tantas atividades que realizam. Este tipo de rede também desenvolve pesquisas e estudos; estabelece e conduz processos de interlocuções e negociações políticas; realiza o acompanhamento de políticas públicas; promove processos de formação e capacitação; faz campanhas publicas de sensibilização, esclarecimento e mobilização; atua na defesa de direitos sociais e causas coletivas; capta e distribui recursos; presta serviços; e, em alguns casos, como o das redes de socioeconomia solidária, realiza mesmo atividades de produção, circulação e até de regulação econômica.

Fundamentos e paradigmas de redes

As redes têm como elementos coesionadores a vontade e a convergência de propósitos de seus integrantes. Por isso, articular uma rede significa buscar parceiros que se comprometam com valores e declaração dos propósitos do coletivo (missão – para que a rede existe?).

Há alguns parâmetros que norteiam a interação e se constituem uma espécie de código de conduta para a atuação em rede. Segundo Rits (2008), os elementos que articulam e garantem unidade de uma rede são:

  • Pactos e padrões de rede: pressupõe identidades e padrões a ser acordados pelo coletivo responsável. É a própria rede que vai gerar os padrões a partir dos quais os envolvidos deverão conviver.
  • Valores e objetivos compartilhados: o que une os diferentes membros de uma rede é o conjunto de valores e objetivos que estabelecem como comuns, interconectando ações e projetos.
  • Participação: uma rede só existe quando em movimento. Sem participação, deixa de existir. Ninguém é obrigado a entrar ou permanecer numa rede. O alicerce da rede é a vontade de seus integrantes.
  • Colaboração: entre os integrantes deve ser uma premissa do trabalho. A participação deve ser colaborativa.
  • Multiliderança e horizontalidade: uma rede não possui hierarquia nem chefe. A liderança provém de muitas fontes. As decisões também são compartilhadas.
  • Conectividade: só quando estão ligados uns aos outros e interagindo é que indivíduos e organizações mantêm uma rede.
  • Realimentação: a informação circula livremente, emitida de pontos diversos, sendo encaminhada de maneira não linear a uma infinidade de outros pontos, que também são emissores de informação.
  • Descentralização e capilarização: uma rede não tem centro, ou melhor, cada ponto da rede é um centro em potencial. Uma rede pode se desdobrar em múltiplos níveis ou segmentos autônomos – “filhotes” da rede –, capazes de operar independentemente do restante da rede, de forma temporária ou permanente, conforme a demanda ou a circunstância. Sub-redes têm o mesmo “valor de rede” que a estrutura maior à qual se vinculam.
  • Dinamismo: uma rede é uma estrutura elástica, dinâmica, cujo movimento ultrapassa fronteiras físicas ou geográficas. Cada “retrato” da rede, tirado em momentos diferentes, revelará uma face nova.

Estrutura e funcionamento de redes

Conforme Bernardi e Malvasi (2006), os modelos de hierarquia e de gestão do terceiro setor diferem daqueles derivados da lógica do mercado e do Estado, demandando mecanismos de maior participação.

De maneira geral, o terceiro setor se organiza de forma a permitir maior participação dos atores envolvidos, estrutura policêntrica e parcerias entre os três setores da sociedade. A efetivação desses princípios requer um novo modelo: as redes.

A estruturação das redes necessita de definições claras de sua Carta de Princípios, para que sejam estabelecidos os pactos relacionais entre os seus membros. Assim, as redes se estruturam a partir da definição de seus objetivos, das áreas da atuação, dos beneficiários, dos interesses a ser representados. Essas definições preliminares servem para formatação do campo de potenciais integrantes da rede.

O desenho organizacional das redes costuma partir da definição das atividades, produtos e serviços que serão realizados, dos resultados esperados, da definição das regras de relacionamento, do processo de tomada de decisão. A esse conteúdo deve se ajustar a estrutura a ser concebida.

As estruturas das redes costumam ter arquiteturas não hierárquicas, flexíveis e menos estáveis do que as das empresas e órgãos públicos, tendo sempre presente uma lógica de provisoriedade que lhe permita uma possibilidade permanente de adaptação a contextos sempre dinâmicos.

Como assinalam Bernardi e Malvasi (2006), os centros de poder são instâncias e não pessoas ou cargos. Predominam nos organogramas a Assembleia Geral, da qual todos devem participar. Nas estruturas intermediárias da gestão cotidiana, na qual não se decide, apenas se agilizam processos, podem existir diretoria, coordenação, conselho de gestão, entre outros. Na divisão de áreas de trabalho, não costumam existir departamentos e sim grupos de trabalho, comitês ou comissões. Nas redes mais complexas, existem estruturas operacionais fixas, secretarias executivas, sem função de comando ou regulatória.

Apesar da grande variabilidade da tipologia das redes, as características antes descritas costumam prevalecer.

Sustentabilidade de redes

Segundo Teixeira (2002), as redes são vistas como solução adequada para administrar políticas e projetos nos quais os recursos são escassos, os problemas complexos, existem muitos atores envolvidos, interagem agentes públicos e privados, centrais e locais, há uma crescente demanda por benefícios e participação cidadã.

Nesse contexto, as estruturas de sustentação das redes podem adquirir as mais variadas formas, de acordo com a sua composição, finalidades e grau de maturação.

No geral, o que as sustentam é a determinação para a realização da ideia-força que a gerou. Os recursos estão nelas mesmas, nas pessoas e nas organizações que lhes disponibilizam recursos materiais.

Nas redes sociais, não deve haver diretorias, chefias, remuneração de funcionários, despesas com impostos e sedes, estrutura organizacional para captação de recursos, suportes administrativos etc.

Esta estrutura simplificada, no seu desenvolvimento, passa a adquirir uma forma mais complexa e surge a questão da formalização para viabilizar parcerias com financiadores e o poder público. Esta sustentação financeira normalmente vem por meio de projetos, que não são executados diretamente pelas redes, mas sim por ONGs, Oscips etc. (membros da rede). Alguma instituição recebe o recurso em nome delas ou destina algum recurso à rede, para manutenção de uma estrutura de coordenação mínima. Em alguns casos, cria-se uma nova organização social juridicamente constituída, com a finalidade de receber os recursos.

Estratégias de formação de redes

A descoberta de parceiros e propósitos comuns são dois elementos fundamentais para o início da criação de uma rede. Existem alguns princípios que devem ser observados, para maximizar os resultados de uma articulação de rede:

  • pessoas e organizações só entram em parceria quando não podem solucionar os problemas sozinhos; caso contrário, não despenderiam recursos nem assumiriam riscos estabelecendo relações desta natureza;
  • as diferentes partes envolvidas nas relações de parceria precisam ter níveis de poder relativamente iguais. Quando há grandes diferenças de poder, é comum que os mais “fracos” estabeleçam alianças com outros atores, com o objetivo de equilibrar as forças;
  • todos os participantes precisam estar envolvidos desde o início, sob o risco de que os ausentes descontinuem ou prejudiquem a parceria no futuro. Ainda que a participação possa significar mais tempo e custos investidos no processo, em longo prazo tende a trazer melhores resultados;
  • os diferentes grupos podem ter pressupostos e visões distintas sobre os fatos, empregando inclusive linguagens diferentes, o que pode levar à incompreensão ou mesmo inviabilizar um acordo. Em uma parceria, é fundamental que os participantes se esforcem ao máximo para compreender o pensamento e a linguagem dos demais;
  • um grupo que esteja com dificuldades para dialogar com outros grupos ou setores pode adotar a estratégia de estabelecer inicialmente alianças com lideranças menos resistentes que, em seguida, podem facilitar o diálogo com os seus pares;
  • relações informais e anteriores à parceria podem ter um papel importante ao possibilitar o cruzamento de fronteiras sociais e a criação de cadeias de confiança que extrapolam as posições formais de cada um dos atores;
  • os mais afetados pelos problemas são as pessoas mais interessadas em solucioná-los, que deveriam, sempre, participar dos processos de discussão e das parcerias que se propõem a solucionar seus problemas.

No entender de Corrêa e Casarotto Filho (1999 apud OLAVE; AMATO NETO, 2001), o nascimento, a sobrevivência e consolidação das redes dependem da discussão e equacionamento de três aspectos fundamentais:

  • Cultura da Confiança: relaciona-se aos aspectos ligados à cooperação entre os atores, envolvendo aspectos culturais e de interesse de pessoas e de organismos, tendo a ética o papel fundamental nessas relações. Conforme Corrêa (1999 apud OLAVE; AMATO NETO, 2001), o fortalecimento da confiança entre os parceiros é fundamental para todo o desempenho das redes.
  • Cultura da Competência: refere-se às questões ligadas às competências essenciais de cada parceiro. Contempla desde aspectos materiais como as instalações e equipamentos, até aqueles imateriais como os processos, o saber como fazer os processos (know how).
  • Cultura da Tecnologia da Informação: a agilização do fluxo de informação é de vital importância para a implementação e o desenvolvimento de redes flexíveis.

Potencialidades das redes

As redes se constituem instrumentos poderosos para a articulação de atores sociais do terceiro setor. Esta forma de organização tem sido crescentemente utilizada por corresponder às necessidades de uma realidade em rápido processo de mudanças. Entre as suas potencialidades podemos apontar:

  • o pluralismo, normalmente presente na sua composição, permite um maior nível de aprofundamento na análise dos problemas, pois incorpora diferentes perspectivas situacionais;
  • permite a integração de experiências de atores locais com experiências globais de outros atores, permitindo a confluência de saberes empíricos e teóricos;
  • facilita a criação de padrões flexíveis de relação entre governo e entidades civis, facilitando a construção de um campo de interesse público não estatal, portanto mais próximo do cidadão;
  • permite maior agilidade de adaptação da forma organizativa às demandas sempre dinâmicas dos processos em mudança do mundo contemporâneo;
  • facilita a elaboração democrática dos objetivos, metas e planos comuns dos atores sociais, além de criar cumplicidade ampla, sustentabilidade e governabilidade dos projetos compartilhados.

Conclusão

Se, de um lado, as redes são portadoras de imensas potencialidades organizativas para os desafios contemporâneos, por outro lado, não podem ser entendidas como receita universal para a interação eficaz entre os atores sociais.

Esse instrumento de organização também carrega problemas que devem ser considerados, paralelamente às suas virtudes. Entre esses fatores podem ser apontados, o baixo grau de previsibilidade resultante do engajamento voluntário que nem sempre se manifesta de maneira continuada, a inexistência de mecanismos de responsabilização decorrente da informalidade das relações, o risco da ineficácia na execução de projetos gerado pela inexistência de centro coesionador, bem como a maior morosidade no processo de tomada de decisões em contexto de processamento democrático.

A experiência tem mostrado, também, que apenas uma minoria das relações de colaboração em redes alcança o estágio integrativo e aproxima-se da “parceria ideal”. Estas relações são difíceis de ser mantidas e exigem grande empenho por parte dos envolvidos.

Referências

BERNARDI, M. R. F.; MALVASI, P. A. Gestão em Redes: potencialidades e desafios da experiência brasileira. In: BROWN, Ellis Wayne (Org.). O terceiro setor em perspectiva. 1. ed. São Paulo: Fiuza LTDA., 2006. p. 145-178.
BROWN. Ellis Wayne. Terceiro Setor: em busca de uma delimitação. Momentum, v. 1, n. 3, p. 13-36, 2005.
CAPRA, F. A teia da vida – uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Trad. Newton Roberval Eichemberg. São Paulo: Cultrix, 1996.

Fausto Matto Grosso

Fausto Matto Grosso

Engenheiro civil, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.
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