Edição atual

Editorial

A crise e os cenários de sua superação

Um observador externo, alheio às marchas e contramarchas da política brasileira, chegado repentinamente ao país, poderia pensar que a principal característica dos primeiros dias do segundo mandato da presidente Dilma Roussef tenha sido a falência inesperada de um governo vitorioso há pouco nas urnas. Para um observador interno, o mesmo fenômeno pode ser visto de forma diferente, como a confluência súbita de um conjunto de crises. Cada crise seguia, até então, com seu ritmo e rumo próprios, até que, por um chamado qualquer, todas se encaminharam para um encontro marcado, nas ruas e na consciência dos cidadãos. Reunidas, as crises [...]

By Política Democrática

I. Tema de capa: E agora, Brasil?

O Brasil Hoje – Março 2015

As jornadas de protestos de junho de 2013 já indicavam o despertar da sociedade brasileira para uma realidade enganosa vendida pelo lulopetismo. Realidade criada por marqueteiros e pela dupla Lula/Dilma, baseada no ufanismo, no baluartismo e na mentira. Apesar disso, os protestos de junho de 2013 acabaram esvaziados pela ausência de lideranças e organizações com capacidade e reconhecida legitimidade para capitalizar as insatisfações difusas e de transformá-las em um programa objetivo de reformas e levá-lo às ruas e às esferas das instituições nacionais. Afinal, teríamos logo em seguida àqueles acontecimentos a Copa do Mundo e as eleições gerais, que passavam [...]

By Moacir Longo

I. Tema de capa: E agora, Brasil?

Superar a crise, construir a democracia

Nós, brasileiros, somos muito céticos em relação às possibilidades de construção da democracia em nosso país. Não são poucos os momentos em nossa história em que predomina esse sentimento crítico, tendo como base o reconhecimento dos imensos problemas que envolvem essa construção. Sabemos também que nenhum país construiu a democracia a partir de um plano previamente idealizado que eliminava impasses e conflitos. Há muitas dimensões a serem consideradas nesta construção e não há possibilidade de se aceitar a ideia de que alguém, por qualquer razão, tenha controle ou domine os caminhos dessa empreitada. Os arquitetos da democracia, em qualquer tempo [...]

By Alberto Aggio

I. Tema de capa: E agora, Brasil?

Fim de ciclo e nova hegemonia para refundar a república

Mas, enquanto se vive neste mundo, existe alguma esperança; porque é melhor ser um cão vivo do que um leão morto (Eclesiastes 9:4 – Bíblia NTLH) O novo governo de Dilma Roussef (PT) já nasce desatualizado, politicamente, logo após assumir em 1º de janeiro de 2015. Há dois sentidos para esse envelhecimento precoce. Primeiro, ele herda a “herança maldita” de si mesmo, na busca de recauchutagem para a estagnação do ciclo de grandes obras (inacabadas!) e “pacotes de bondades”. Não dá mais para continuar a festa e chamam o ortodoxo Joaquim Levy, eleitor de Aécio, para arrumar as contas públicas [...]

By Marcio Sales Saraiva

I. Tema de capa: E agora, Brasil?

Um outro mundo é possível

Isso que aí está é o fim do mundo ou é começo de outro? Os sinais que vêm das ruas, ocupadas por multidões, que se renovam quase semanalmente, embora desencontrados, expressam, cada qual a seu modo, a mesma sensação de mal-estar com os rumos do país e de desconfiança na ação dos partidos e, em geral, na dos dirigentes políticos. À diferença das manifestações de 2013 que apresentavam agendas de políticas públicas definidas sobre temas concretos, como os da mobilidade urbana, dos serviços de saúde e de educação, as que se iniciaram a partir de 15 de março de 2015, [...]

By Luiz Werneck Vianna

II. Observatório

Trinta anos de retorno à democracia

Este 2015 tem um sabor especial para nós brasileiros, apesar de toda a crise que o Brasil está vivendo na economia, na política, no institucional, na ausência de credibilidade, no comportamento amoral de homens públicos e muitas outras deformações, resultado mais do que evidente sobretudo dos 12 anos de governo do Partido dos Trabalhadores, o qual, conforme anunciava alto e bom som, desde sua fundação em 1980, iria “virar o país de ponta cabeça” e eliminar tudo o que havia de errado, corrupto, injusto e desigual. Ao contrário do que homens e mulheres, dominados por rica esperança, aguardavam de real [...]

By Roberto Freire

II. Observatório

Desafios da democracia

A vitória da Aliança Democrática, há exatamente três décadas (15/01/1985), no colégio eleitoral, ao eleger para Presidência e Vice da República, Tancredo Neves e José Sarney, encerrou um ciclo de 21 anos de regime ditatorial e demarcou a transição para o Estado de direito democrático. Constituiu-se, ademais, momento extraordinário do desfecho do longo e complexo processo de transição democrática que, com avanços e retrocessos, culminou com a promulgação da Constituição de 1988. Desencadeada ainda nos momentos sombrios da ditadura, foi conduzida por forças que optaram pela luta política em detrimento da ilusão do confronto armado e que, pacientemente, construíram uma [...]

By José Antonio Segatto

II. Observatório

A mulher na política merece seu real espaço

Desenvolver atividades num partido político e compreender a importância desta determinação significa lutar ativamente em favor de uma ideia, melhor dizendo, de um ideal. Nosso envolvimento nesta luta pode se dar em torno da macropolítica, de interesse para o conjunto da sociedade, ou em torno de políticas específicas (mulheres, crianças, juventude, educação, terra, LGBT) ou, ainda, em torno de temas vários que compõem um todo. Tenho para mim que a política, embora esteja tão mal avaliada por alguns e tão rejeitada pelas pessoas mal instruídas e mal informadas, ainda nos traz esperanças de melhores dias e melhores oportunidades para a [...]

By Tereza Vitale

III. Conjuntura

Inquietantes semelhanças entre o lulopetismo e o kirchnerismo

Dilma Rousseff apenas inicia, ao passo que Cristina Kirchner está por terminar o seu segundo mandato presidencial. Apesar disso, Brasil e Argentina parecem, ambos, viver o encerramento de um ciclo político de mais longa duração. Em que pesem claras diferenças, há inquietantes semelhanças nos processos políticos experimentados pelos dois países sob o lulopetismo e o peronismo kirchnerista. A maior delas reside em que, a despeito de quase tudo indicar o esgotamento dos respectivos projetos políticos, não se verifica a articulação clara de alternativas à altura das melhores aspirações de renovação das instituições políticas e da cultura democrática nos dois países. [...]

By Sérgio Fausto

III. Conjuntura

Mãos limpas à brasileira?

Dados os acontecimentos em torno da Petrobras e suas conexões com o sistema político e empresarial, tornou-se regra a referência à Operação Mãos Limpas que, nos anos 1990, abalou a primeira república italiana, nascida sob os escombros do fascismo, levando de roldão partidos solidamente enraizados, como, em particular, a Democracia Cristã e o Partido Socialista (PSI). No cenário delineado pela queda do Muro de Berlim e a dissolução do socialismo real, a famosa operação judicial desvendou boa parte da intrincada rede de corrupção no país que fora uma das fronteiras mais “quentes” da Guerra Fria. Ruía assim, estrepitosamente, a Tangentopoli, [...]

By Luiz Sérgio Henriques

III. Conjuntura

Democracia, entendimento e o fator Temer

O que esperar de uma elite política, após a irrupção indignada de numerosos cidadãos nas ruas? Que reveja seus roteiros de ação para reverter essa indignação. Numa democracia que mereça esse nome, isso não esvaziará as ruas permanentemente nem restringirá a política a um mero jogo de bastidores, entre elites e partidos. Ao mesmo tempo, nenhuma democracia se manterá como tal se dispensar elites e partidos. Uma democracia que flui como um processo crescentemente inclusivo permite mudanças no papel dos vários atores, dentro e fora da sociedade política, bem como o acesso de novos atores às decisões ali tomadas. Para [...]

By Paulo Fabio Dantas Neto

IV. Questões do Estado e da Cidadania

A intenção, a meta e a imprecisão

Um gestor público pode cometer erros recorrentes em suas boas intenções ou no arrojo do fazer obras complexas. Mas não pode contribuir, em uma retórica claudicante e equivocada, para consolidar ainda mais a política como o último refúgio da prática cotidiana da desfaçatez. Mesmo se aplicarmos o fator ignorância a seu favor, ainda assim fica em xeque o conceito de gestor necessário ao chefe de Estado e ao seu primeiro escalão. Na prática, a política de alianças tem radicalizado na pauperização da virtude do discernimento. Descartando-se aqui a opção má-fé vamos nos ater ao fator ignorância associado à má-formação e [...]

By Luís-Sérgio Santos

IV. Questões do Estado e da Cidadania

O Brasil descobre a água

Foi preciso que São Paulo, uma das maiores cidades do mundo, fosse ameaçada pelo colapso no fornecimento de água para que o Brasil descobrisse que esse recurso vital precisa ser tratado adequadamente. A Amazônia, com a maior bacia hidrográfica, precisa aprender essa lição. O brasileiro descobriu a água pela pior lição: a da sua falta. Foi preciso que as duas maiores cidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro, ficassem sob a ameaça de colapso no fornecimento para que a grave realidade se impusesse à negligência e incompetência do governo, e à insensibilidade da população. Em ritmo de crise, [...]

By Lúcio Flávio Pinto

IV. Questões do Estado e da Cidadania

Laicidade enganosa

Difícil definir o Estado laico, mais fácil dizer o que ele não é. Como a democracia, aliás. Isso porque a laicidade do Estado é um processo. Os Estados não nasceram laicos. Aproximativamente, podemos dizer que um Estado torna-se laico quando prescinde da religião para sua legitimidade, quando suas políticas se baseiam exclusivamente na soberania popular. O Estado laico respeita todas as crenças religiosas, desde que não atentem contra a ordem pública, assim como respeita a não crença religiosa. Ele não apoia nem dificulta a difusão das ideias religiosas nem das ideias contrárias a essa ou àquela religião, ou mesmo a [...]

By Luiz Antônio Cunha

V. O social e o político

O nó do saneamento

Muito se fala sobre a necessidade de universalizar os serviços básicos no país. Com muita frequência, citam-se a educação e a saúde como serviços essenciais que deveriam estar ao alcance de todos. Porém, poucos listam o saneamento entre as prioridades. Ao longo das últimas décadas, evoluímos no aumento da oferta de serviços de água e esgoto (incluindo-se o seu tratamento) e disposição adequada dos resíduos sólidos. Mas ainda estamos distantes do ideal. Permanecemos longe de nossos vizinhos, como o Uruguai, Argentina, Colômbia e Chile, apenas para citar alguns. Se subirmos um pouco no mapa da América Latina, até o Panamá [...]

By Cassilda Teixeira de Carvalho

V. O social e o político

Políticas educacionais e formação de professores

O presente texto tem como objetivo contribuir para a reflexão acerca do desenvolvimento de políticas educacionais e as relações estabelecidas com a formação de professores. Partimos da premissa de que inserir efetivamente as discussões sobre as políticas públicas nos cursos de licenciatura faz-se necessário uma vez que a escola e o trabalho docente não são entes isolados da sociedade e, como tal, recebem influências e também influenciam. O futuro professor, bem como o docente no exercício da sua profissão, quando é parte integrante da formulação e implementação das normatizações, regulamentações, das diretrizes que norteiam o desenvolvimento do seu ofício, ganha [...]

By Renata Cabrera

VI. Batalha das Idéias

Reflexões provisórias sobre o poder, a democracia e a tentação totalitária

Se um sistema político não se caracteriza por um sistema de valores, permitindo um pacífico “jogo” de poder – ou seja, a aderência por parte dos que estão fora das decisões tomadas por aqueles que estão dentro, juntamente com o reconhecimento pelos que estão dentro dos direitos dos que estão fora – não pode haver democracia estável. Seymour Martin Lipset Não existe um modelo único que sirva de regra ou explique como se instala um Estado autoritário. Mas, por pura especulação caprichosa: qual seria a receita ideal para uma ditadura forte e duradoura, ideal de todos os salvadores? O itinerário [...]

By Paulo Elpídio de Menezes Neto

VI. Batalha das Idéias

Considerações sobre o liberalismo econômico e a democracia

O liberalismo econômico alicerça suas premissas num sistema de valores que reivindica o legado intelectual de um conjunto específico de autores, perpassando John Locke, Ludwig von Mises, Ayn Rand, dentre outros. Resguardadas suas idiossincrasias, estes pensadores são combinados com o intuito de legitimar uma determinada concepção contemporânea sobre o papel do Estado e uma tendência econômica específica, a saber: o Estado mínimo – restrito à tríplice função de assegurar a vida, a liberdade e a propriedade – e o livre mercado, respectivamente. À semelhança dos demais fatos humanos, a ascensão do discurso liberal é um fenômeno inscrito num contexto histórico [...]

By Leandro Gavião

VII. Economia e Desenvolvimento

O ano que já acabou

A ninguém é estranho que a economia parou em 2014, apesar da Copa do Mundo, das eleições que normalmente aumentam o gasto público e incentivam a atividade econômica, e a despeito da melhoria da economia mundial. Na divulgação dos dados, na segunda quinzena de março de 2015, ficou provado que o número ruim foi resultado da política econômica errada: o país teve um resultado de 0,1% no PIB e uma inflação no teto da meta. Não há esperanças de melhora a curto prazo. A queda de 4,4% do investimento, por si só, já indica que 2015 não será um ano [...]

By Miriam Leitão

VII. Economia e Desenvolvimento

Desenvolvimento só com reformas

O bochicho político se tornou irrefreável, acirrado por um governo cujo partido venceu a eleição presidencial de raspão, mas continuou desdenhando os seus aliados no Congresso, desatento ao fato de que a descoberta do bilionário ninho de corrupção na Petrobras desfez a magia do PT para unir “lé com cré”. Apesar do crescente sentimento de mal-estar na sociedade, no entanto, este não é o problema central. Mais graves são as evidências de que os nutrientes que alimentam o desenvolvimento perderam a fertilidade de antes. E, sem revolver o solo em que germina a riqueza nacional, o prognóstico, ao menos até [...]

By Antonio Machado

VIII. Mundo

A Europa inova na forma-partido

Os partidos políticos nasceram no século XVIII. A literatura especializada os denomina de “partidos de notáveis”, dado que se pareciam mais com clubes de apoio à candidatura de um notável que os representasse que uma organização permanente. Após o escolhido tomar posse, o “clube” ou articulação de apoiadores se desfazia. No século seguinte, surgiram os partidos modernos, inicialmente configurados como operários, que adotaram programas globais, militância de base, direção administrativa e política e programa permanente. A provisoriedade tinha se dissipado. Em seu lugar, surgiram organizações totais, com vocação para conquistar o Estado. Totais porque todos seus espaços internos eram ocupados [...]

By Ruda Ricci

VIII. Mundo

Podemos, o fim de uma época do sistema partidário espanhol

Nos dias 24 e 25 de fevereiro, ocorreu no Parlamento espanhol, em Madri, um debate sobre a situação nacional. Na primeira parte da sessão, evidenciou-se que não havia, por parte do governo, a menor intenção de debater com a oposição: o primeiro ministro Mariano Rajoy, em sua intervenção inaugural, limitou-se a um discurso que colocava a Espanha como o “país das maravilhas”, uma Alemanha do Sul. Nem mais, nem menos. Um discurso somente para aqueles já convencidos, desligado do que foi o último ano político do país. O então líder da oposição, o socialista Pedro Sánchez, o respondeu com dureza, [...]

By Joan Alcazar

IX. Ensaio

O fenômeno das redes

A palavra rede tem origem no latim rete-retis, associada à ideia de um entrelaçamento de fios, cordas, cordéis, arames etc.; com aberturas regulares, fixadas por malhas, formando uma espécie de tecido. Nos diversos ramos do conhecimento, a palavra tem sido usada como “metáfora” para representar sistemas complexos e flexíveis, compostos de polos (nós) e de relações entre eles. Biólogos frequentemente empregam o termo quando se referem às teias alimentares e aos ciclos de vida. “Sempre que olhamos para a vida, olhamos para as redes” (CAPRA, 1996). Atualmente, o conceito de rede tem sido amplamente utilizado nas ciências sociais e nas [...]

By Fausto Matto Grosso

IX. Ensaio

A formação do primeiro grupo dirigente do Partido Comunista Brasileiro (1919-1930)

Desde os primeiros artigos e ensaios, escritos e publicados, sobre a história dos comunistas brasileiros (1979, 1980, 1982), ainda quando era mestrando na Universidade Estadual de Campinas, procurei chamar a atenção para a especificidade do processo de formação ideológica do primeiro “grupo dirigente” do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Nestes primeiros escritos da década de 80 afirmava que havia certa homogeneidade cultural e política desses primeiros militantes (Astrojildo Pereira, Cristiano Cordeiro, Otávio Brandão, Heitor Ferreira Lima), produto da transformação ideológica do final do século XIX no Brasil .Um misto de republicanismo, evolucionismo e positivismo formava o horizonte ideológico dessa geração saída [...]

By Michel Zaidan

X. Homenagem

Comunista que soube valorizar a vida e a democracia

Com a morte de Armênio Guedes, em 12 de março, foi-se uma parte importante da história da política democrática, da esquerda e das lutas sociais no Brasil. As gerações mais jovens podem não saber de quem se trata. Armênio morreu aos 96 anos. Viveu, portanto, uma vida longa e plena, conheceu o fundamental do século XX e as primeiras décadas do capitalismo globalizado e informatizado em que nos encontramos. Como comunista militante, experimentou de tudo: conviveu de perto com Luiz Carlos Prestes, um de seus maiores antagonistas, integrou inúmeras formações do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro, o PCB, amargou [...]

By Marco Aurélio Nogueira

X. Homenagem

Brinde ao cangaceiro do cinema

Vladimir Carvalho é um cangaceiro das artes; em vez de um fuzil, ele empunha uma câmera ou uma máquina de escrever da marca Remington. É capaz de mover montanhas de empecilhos, animado pela fé invencível nas luzes do cinema. Ele completa hoje 80 anos de idade e merece todas as honras, pois, como disse o compositor Cartola, quem gosta de homenagem depois de morto é estátua. Dos 80 anos de Vladimir, 40 foram dedicados à criação e à consolidação do cinema brasiliense, na condição de cineasta, de professor e de articulador (conceitual e político) do curso de cinema da Universidade [...]

By Severino Francisco

XI. Resenha

O golpe, as armas e a política

A rememoração do Golpe de 64, que completou 50 anos no último ano, produziu intensa movimentação editorial no país. O livro aqui examinado é um destes esforços bibliográficos. O trabalho, essencialmente, reúne o olhar das forças democráticas sobre o golpe e também sobre todo o percurso do regime que sentenciou o Brasil a 21 anos de restrições às liberdades civis e políticas. Os mais de 30 artigos abordam, com relativa desigualdade, o comportamento das esquerdas e das forças oposicionistas durante o regime, assim como a antessala da chegada dos generais ao poder. Mais que isso, também apresentam a reflexão da [...]

By Adelson Vidal Alves

XI. Resenha

Bravura cívica

Cada um de nós tem suas admirações particulares. Roberto Saviano é um dos meus herois, desde que li Gomorra e soube de sua saga pessoal. Agora, em ZeroZeroZero, seu livro mais recente, ele foi ainda mais longe. Saviano atua em um gênero que pinça o nervo de nosso tempo: convencionou-se denominá-lo jornalismo literário. Para os céticos, esse título significa nem literatura, nem jornalismo. Uma espécie de dupla traição: à autonomia estética do discurso literário e à objetividade neutra do jornalismo, supostamente desapaixonado, livre da força poética das palavras e refratário à imaginação. Prefiro virar esses argumentos pelo avesso: sem o [...]

By Luiz Eduardo Soares